
De acordo com o Banco de Portugal, o perfil de quem obteve crédito ao longo do último ano revela uma adaptação notável às novas exigências do mercado. O financiamento foi captado predominantemente por famílias com rendimentos estáveis e uma taxa de esforço rigorosamente controlada, refletindo o impacto das recomendações macroprudenciais que continuam a moldar a concessão de empréstimos.
A maioria dos novos contratos de crédito à habitação foi celebrada por casais jovens e adultos na faixa dos 30 aos 45 anos, muitos dos quais aproveitaram a estabilização das taxas de juro para concretizar a compra da primeira casa. Este grupo de beneficiários destaca-se por apresentar rácios de *loan-to-value* (LTV) mais equilibrados, o que demonstra uma maior capacidade de entrada própria, algo que se tornou um fator decisivo na aprovação bancária em 2025. Além disso, verificou-se uma subida relevante no crédito contratado por profissionais qualificados no setor tecnológico e de serviços, cujos rendimentos permitiram absorver as variações de custo de vida. No crédito ao consumo, o perfil foi mais transversal, mas sempre marcado por uma análise de risco apertada, onde os bancos privilegiaram clientes com histórico bancário imaculado.
Resumindo, o acesso ao crédito em 2025 não foi para todos, mas sim para quem conseguiu demonstrar uma solidez financeira capaz de convencer as instituições num cenário de preços imobiliários ainda elevados.